Desmaterialização da moda

O que não se pode ver pode ser considerado real? O fato é que as coisas são mais que imagens, como diz o comercial de refrigerantes, “imagem não é nada, sede é tudo” mas isso pode ter alguma coisa incomum com o nosso contexto de moda? Claro que sim”!
Sabemos que a moda é constituída por vários fatores, que não daria para serem listados aqui, ainda mais hoje, no século em que vivemos, ela já consolidou um mercado amplo de extrema importância e complexidade, vários segmentos, sustentam e são sustentados por ela. Mas qual a motivação de fazer tantas coisas, movimentar milhões de pessoas para no final ser apresentado um produto carregado “itens” não palpáveis, não usáveis? Eu me pergunto se isso vale a pena, se vale pagar por isso ou receber por isso.
As pessoas no geral têm uma necessidade enorme de se serem vistas; a roupa é uma ferramenta usada para esta finalidade, só que a roupa, o tecido em si, tem suas limitações, suas deficiências, que são vistas como barreiras por muitos, nessa hora que entra o invisível, agora o fator imagem, não importa, é explorado. O comercial de TV nos diz que temos sede, mas não basta ver a bebida é necessário beber.
A peça de roupa pode ser bem parecida com a encontrada nas lojas de “fast fashion”, c&a por exemplo, mas e daí? O importante é que ela tem uma etiqueta muitas vezes mínima e escondida, que diz que “fulano” que criou, que o famoso, que tal atriz usa a mesma e por ai vai, isso sim é importante, isso é um “item” que me faz pagar caro por ela.
Foi se o tempo em que a moda era restrita a roupas e tecidos, hoje a moda é carregada de “acessórios” invisíveis, que tem mais valor que a própria roupa, na maioria das vezes. Os tempos são outros, a moda é outra, a moda foi desmaterializada.

- prova da matéria de moda e sociedade, professor Mario Santiago.
- exemplo disso é a coleção de Jum Nakao, toda feita em papel vegetal. "a costura do invisivel"

[outro video interessante]

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