heterogêneo


"Aqui, ali, em todo o lugar. Deslizando pelos cantos mais estreitos, debaixo do mundo, evaporando pelo ar. É vida, mas está morrendo, deixando de ser transparente, parada nos cantos sem poder passar.

A terra e suas riquezas multicoloridas se multiplicam, e junto os seres humanos, com suas invenções, fábricas e construções. A necessidades de utilizar tudo o que estava a disposição era inevitável. Mas quem poderia imaginar que um dia elas acabariam? Vivemos, e produzimos resíduo todo o tempo. O cigarro que não virou fumaça vai pro chão, o papel de bala também. A chuva vem, se mistura e tenta levar aquilo que não tem destino... esforço em vão. Sabemos, mas fingimos esquecer. Tememos a morte do mundo, só tememos.

Assim vamos vivendo, sobrepondo o sujo e o belo, o delicado e o grosseiro, o leve e o pesado. Misturando o que em sua essência se mostrava heterogêneo, até que um dia acabe e não tenhamos recursos necessários para ressuscitar o “velho Chico”, o velho rio, o grande mar, a beira da lagoa pra nadar. A água que sempre purificou almas e corpos agora precisa ser purificada."

texto: raphael ribeiro e júlia meireles

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