O multifacetado Raphael Ribeiro.

O Raphael “nasceu artista”, foram essas as primeiras palavras da mãe Rosileia quando eu lhe perguntei sobre o seu filho. “Menino sossegado, que nunca me deu trabalho quando pequeno”, completa. Sem enjôos, sem passar mal e um parto bastante tranqüilo, é dessa maneira que a mãe descreve a gravidez do seu filho caçula. E é a tranqüilidade a palavra chave que define toda a infância de Raphael. Todo o período de gestação gerou bastante expectativa, tanto na família Gonçalves quanto na Ribeiro, principalmente porque ninguém sabia qual era o sexo do bebê. “O nascimento do Rapha, foi um momento de muita alegria para todos nós da família, principalmente pra mim que sou tia e sempre tive um carinho muito especial por ele” essas são as palavras da Tia Rosângela por parte de mãe, ao contar sobre o momento do nascimento do sobrinho. Ela conta ainda que a família passava por tempos difíceis, pois havia apenas dois meses que o pai das irmãs Gonçalves tinha falecido, diante desse fato a chegada do Raphael significou a renovação da vida. “Ele veio para alegrar nossos corações em um momento de dor”, conta.

Embora tenha sido uma criança muita calma, o Raphael era muito esperto, é o que conta Rosângela. Com nove meses, o pequeno garoto já tinha aprendido a andar para a surpresa e orgulho de toda a família, principalmente para os seus pais. Desde muito pequeno Raphael demonstrou ter habilidades com trabalhos manuais e foram através desses pequenos trabalhos infantis que a criatividade foi se aflorando e se tornando uma característica em toda a sua vida. Seu relacionamento familiar sempre foi muito bom, cresceu em meio aos primos e irmão, mas, onde tem criança sempre acaba tendo uma briga ou outra, e não foi diferente com ele, mesmo assim, nem com as tradicionais rixas de criança, Raphael deixou de ser um menino pacato. Organizado, interessado, cuidadoso, essas são palavras que definem muito bem parte de sua personalidade que começou a ser construída na fase infantil.

A adolescência, na vida da maioria das pessoas, significa época de mudanças, conflitos pessoais, moldura de caráter e é onde geralmente as pessoas acabam direcionando qual o rumo que suas vidas vão seguir, e não foi diferente com Raphael. Como a maioria dos adolescentes, esse foi um momento de fazer novas amizades, de novas descobertas. “Conheci o Rapha em um grupo de teatro da igreja, eu me lembro que ele era muito tímido, eu me aproximei, no primeiro momento ele não deu muita abertura”, conta a amiga Bruna. Embora nesse primeiro contato não tenha existido a troca de muitas palavras, ela significou o começo de um encontro muito grande de afinidades entre os dois. “A nossa amizade começou quando o teatro precisava muito de novas peças, e eu estava escrevendo uma sobre o Rei Salomão, foi quando eu pensei que o papel seria ideal para o Rapha. Sempre o achei um cara muito expressivo, e aquela peça pedia isso, e eu estava certa, o papel foi perfeito pra ele, ele se deu super bem”, finaliza Bruna. Outro amigo, feito nessa época, Rafael, conta que a primeira imagem que ele tem na cabeça quando viu seu xará, foi de “aquele menino da cara fechada. Mas eu me lembro também que logo quando comecei a conversar com ele, percebi que não tinha nada a vê com a primeira impressão que eu tive”.

A adolescência de Raphael foi marcada por várias mudanças de estilo, tanto de roupa quanto de comportamento, e inicialmente pode-se encarregar todas essas mudanças ao fator igreja, pois segundo o próprio Raphael, todas as essas mudanças ocorreram pelo fato de querer se adaptar ao meio no qual ele estava. E foi na igreja e no teatro os lugares no quais ele passou a maior parte da fase adolescente, e é de lá que ele carrega valores e características totalmente intrínsecas a sua personalidade. E foi justamente nessa época em que ele começou a se interessar por figurinos. “O Rapha não gostava do figurino do teatro, nem eu, então a gente queria fazer”, conta Bruna. E talvez tenha sido a partir daí que o chamado do Raphael para a moda tenha começado a ficar mais perceptível tanto para ele quanto para as pessoas que o cercavam. O primeiro figurino feito por ele foi o do seu personagem, o Rei Salamão. “Eu me lembro muito bem, do figurino dessa peça, ficou bem bonito e bem diferente do que vinha sendo feito no teatro, e acabou que todo mundo gostou tanto das roupas que ele sempre tava participando ativamente no figurino das peças”, relata Bruna.

Com toda essa participação no figurino das peças, e pelo fato do Raphael ser muito curioso e estar sempre buscando melhorar as coisas, ele começou a ser uma espécie de “faz tudo” nos bastidores do teatro. “O Rapha tava sempre ajudando o pessoal a se vestir, fazia sempre os cabelos mais bacanas das peças, e isso não era obrigação dele, mas acabou que todo mundo o incumbiu dessas funções também, acho que às vezes ele ficava até sobrecarregado, porque além de ajudar na produção ele também atuava, com isso ele tinha uma responsabilidade muito grande dentro do teatro e é claro uma importância também” completa Rafael.

Com toda essa versatilidade, o Raphael foi cada vez mais se constituindo como uma pessoal altamente criativa, de idéias originais e que sempre está buscando fazer o melhor. E essa busca pelo melhor, o torna um ser altamente perfeccionista, que se cobra muito, “eu acho que ele é muito perfeccionista, e talvez seja por isso que ele sempre quer que as coisas fiquem do jeito dele”, conta Bruna. Mas essa não é uma opinião exclusiva da amiga, o que rapidamente se percebe em meia hora de conversa com o Raphael, é que de fato ele sempre está buscando a perfeição. “Eu sempre vi isso no Rapha, ele se cobra muito, principalmente hoje depois que ele escolheu essa profissão, e pelo fato de existir essa cobrança, que às vezes eu até acredito que seja exagerada, ele acaba ficando um pouco inseguro do seu trabalho”, completa Rosângela.
Depois de passar por todas as mudanças normais que um adolescente passa, Raphael chegou à fase adulta com uma bagagem grande de vida, aprendeu e se decepcionou muito na igreja, com seus amigos e na família, e foi diante de todas essas vivencias na qual ele encontrou o seu caminho. “Eu fico muito feliz de ver meu filho trilhando seu próprio caminho, conquistando coisas novas, isso me dá a sensação de dever cumprido”, conta a mãe, Rosiléia. E tem sido nesse novo caminho que o Raphael está trilhando, que ele tem proporcionado cada dia mais orgulho para as pessoas que o amam. E já que estou falando de novos caminhos e de orgulho, é inevitável não se lembrar do momento no qual foi tão importante para o Raphael, o momento do concurso Novos Criadores. “No dia do concurso eu fiquei igual uma retardada, minha mão ficou gelada de tão emoção em ver o Raphael, e logo quando entrou à roupa dele eu já sabia que ele iria ganhar, foi muito bom”, foram com essas palavras que a mãe descreve o momento do concurso. Ganhar esse o Novos Criadores, além de toda a alegria, serviu de muita motivação para o Raphael, e serviu também para mostrar a todos que tinha dúvidas do potencial dele, se é que alguém duvidava, de que ele é muito competente no que faz.

Definir o Raphael é uma tarefa praticamente impossível, e não há quem diga o contrário. Com todas as suas qualidades e defeitos, ele faz com que as pessoas o admirem, acreditem nele e torçam pela sua realização. “Quando eu penso no Raphael, a conclusão que eu chego é que ele é aquele cara que permanece na minha vida, independente do contexto e da situação que a gente está vivendo, a gente continua amigo”, conta Rafael. “Tem amigo que você associa a espaço, a um tempo, a uma época, e tem aqueles que ficam totalmente dissociados a qualquer lugar, e é assim com Rapha”, conclui Bruna.

“O que eu percebo no Rapha, é que ele sempre está em busca por ele mesmo, está sempre questionando as coisas que tem na cabeça dele, isso acaba tornando o uma pessoa bem melancólica e reflexiva. Mas, além disso, ele é muito talentoso, muito, muito perfeccionista, genioso, e bem sistemático com as coisas”, são essas as palavras de Bruna, ao tentar definir um pouco da personalidade e das características do Raphael. Não muito diferente disso, a mãe e a tia, contam que Raphael sempre foi fechado, sempre teve um jeito muito peculiar, muito calado, tranqüilo e certas vezes distante, mas isso nunca dificultou seu relacionamento familiar, e não o tornou uma pessoa ‘fria’, muito pelo contrário, “o Raphael é bem carinhoso, mas, já foi mais, principalmente quando era pequeno”, conta a mãe.

“Eu acho maravilhoso, adoro”, essa é a frase que a mãe Rosiléia usou para descrever o que ela pensa da profissão do filho. As expectativas da família de Raphael, são as melhores possíveis, “eu acredito muito nele, no potencial que ele tem e principalmente nesse talento todo dele” conta Rosângela. “Eu tenho certeza que o Raphael vai fazer muito sucesso dentro da profissão dele, ele é muito inteligente e criativo, então isso vai abrir muitas portas pra ele”, finaliza a mãe.
O que se vê é que durante toda a sua história, é que Raphael passou por vários caminhos, mas que hoje ele realmente encontrou o seu lugar. Por isso fica a torcida, e principalmente a confiança no trabalho de Raphael Ribeiro.


Esse texto foi escrito pela carol (Carolina Sanguinete - jornalista e prima) - para o meu trabalho final de graduação, a coleção "muito prazer, EU! Ele me ajudou na busca pela história.

Nenhum comentário: